domingo, 3 de abril de 2011

CRISE - "PERIGO + OPORTUNIDADE"



Quem não enfrentou uma "crise" num estágio de sua vida, muitas vezes esta crise se estende por muito tempo causando vários estragos, tanto materiais, físicos, emocionais, como sair dela é a chave para conseguir de volta a paz e serenidade para continuar, 'crise' significa que precisamos tomar decisões imediatas, e buscar novas oportunidades para sair dela. Eu sempre soube que a palavra "crise" em chinês significava "oportunidade".
Em "chinês" a palavra "crise" é definida como "perigo" + "oportunidade". Para esta palavra no "chinês" tem um símbolo, na verdade, são dois símbolos.
Os símbolos para a crise em chinês são compostos de duas palavras:

Eles são pronunciadas wei1 ji1.
wei significa "perigo".

E ji significa "oportunidade; ponto crucial"

Assim, literalmente wei mais ji é igual "perigo" + "oportunidade".


No entanto, na realidade, uma crise ainda é um estado de assuntos em perigo - independentemente da língua.
Crise wei ji ainda significa "uma situação que chegou a um ponto extremamente difícil ou perigosa".

No entanto, uma situação de perigo pode tornar-se uma oportunidade se wei ji se torna " zhuan3 ji1".
Zhuan ji significa "mudar para melhor". Zhuan significa "transformar". Então ji zhuan significa "transformar-se em oportunidade".

Nesse sentido, a crise símbolo chinês pode significar "oportunidade" em um momento de "perigo".
wei ji é comumente usado como
wei1 ji1 gan3 significando "sentimento de crise" e,
wei1 ji1 Si4 FU2 significa "cercado de perigo, o perigo espreita em todas as direções".


Ao buscar em um dicionário a definição de CRISE encontrei o seguinte:
a. Um ponto crucial ou decisivo ou situação, um ponto de viragem.
b. Uma condição instável, como nos assuntos políticos, sociais ou econômicos, que envolvem uma iminente mudança abrupta e decisiva.
2. Uma mudança repentina no curso de uma doença ou febre, para a melhoria ou deterioração.
3. Um evento emocionalmente estressante ou mudança traumática na vida de uma pessoa.
4. Um ponto em uma história ou um drama, quando um conflito alcança sua máxima tensão e deve ser resolvido.

A nossa vida é constituída por múltiplos períodos de crise. Todos nós gostaríamos que estes momentos não fizessem parte da nossa existência, mas nisto, como em muitas outras "coisas" na vida, não temos opção de escolha. A crise está geralmente associada a momentos de profunda mudança, sendo essas ocasiões difíceis e por vezes até muito dolorosas. Não há dúvida de que crise é também sinónimo de crescimento pessoal, mas para quem sofre crescer é algo perfeitamente dispensável.

Quando estes momentos difíceis passam e entram nos arquivos do passado, compreendemos que adquirimos estratégias que nos tornaram mais resistentes, que já não somos a mesma pessoa, que valorizamos muito daquilo que, no passado, nem sequer atribuíamos significado. A questão que se coloca é como gerir esses períodos da vida em que tudo parece negro, em que a luz ao fundo do túnel é apenas uma miragem. O apoio por parte das outras pessoas é, provavelmente, a regra básica mais importante. O isolamento aumenta o nível de stress e desolação. Penso que o ditado popular "A tristeza partilhada é tristeza dividida; a alegria partilhada é alegria multiplicada" se aplica aqui na perfeição. Atravessar uma crise sem qualquer tipo de apoio é, sem dúvida, demasiado arriscado.

Quando se opera uma grande mudança de vida é importante, de alguma forma, ter consciência do que isso implica. Contactar com pessoas que já viveram ou estão a viver uma situação semelhante pode dar pistas importantes. Se der oportunidade aos outros, estes poderão ajudá-lo a ter uma perspetiva mais clara das coisas. Há muitos dados que só obterá com a vivência da situação; mas outros, as tais pistas a que já fiz referência, poderão ser obtidos através de quem já viveu o mesmo. Ideias e novas perspetivas podem surgir de toda a parte, se para isso houver abertura.

A abertura ao outro não excluiu a necessidade da existência de momentos centrados no "eu", em que seja possível escutar os seus sentimentos mais íntimos. Os momentos de introspeção são fundamentais para que as mudanças tenham oportunidade de "assentar" e ganhar algum sentido. Respeitar cada período da nossa vida, por mais duro que este seja, é fundamental para que possamos ver para além de...

Por muito que lhe pareça impossível, é fundamental mesmo em momentos de crise, e sobretudo nestes momentos, arranjar tempo para comer, fazer exercício, descansar e para se distrair. A crise pode conduzir a excessos, deixando as pessoas sem energia para fazerem frente à doença ou à depressão. Qualquer atividade que ajude a descomprimir (a leitura, a realização de um passeio, a atividade física, conversar com amigos) poderá ser fonte de ajuda. Se se sentir melhor fisicamente e se os seus problemas lhe parecerem menos graves após a realização destas atividades, então estará a proteger-se de outros males, que poderão surgir e agravar ainda mais a sua já difícil situação.

Quando tudo parece desmoronar-se, é muito difícil manter uma atitude positiva. Ser positivo não significa ignorar os problemas, mas sim olhá-los com alguma esperança. A esperança pode evitar que o barco se afunde, mesmo quando tudo indica que tal irá acontecer...
Embora tudo isto lhe possa parecer um verdadeiro receituário, confesso que dar receitas não foi o meu objetivo, até porque acredito muito pouco nelas. A verdade é que estas estratégias tem sido tão importantes para eu própria sobreviver à crise, que decidi partilhá-las!

sexta-feira, 1 de abril de 2011

QUEM É PINÓQUIO?



Pinóquio (em italiano Pinocchio) é uma personagem de ficção cuja primeira aparição deu-se em 1883, no romance As aventuras de Pinóquio escrita por Carlo Collodi, e que desde então teve inúmeras adaptações. Esculpido a partir do tronco de um pinheiro por um entalhador chamado Geppetto numa pequena aldeia italiana, Pinóquio nasceu como um boneco de madeira, mas que sonhava em ser um menino de verdade. O nome Pinocchio é uma palavra típica do italiano falado na Toscana e significa pinhão (em italiano padrão seria pinolo).

O que aprendemos com este personagem?

Certamente não está inscrito no texto do escritor Carlo Collodi As Aventuras de Pinóquio, um código secreto para iniciados, mas a versão de Disney, em animação cinematográfica, nos brinda com exemplos esclarecedores (e mesmo estarrecedores) sobre questões atuais para as quais buscamos explicações e cujo entendimento encontra-se dificultado por estarmos ainda vivendo as transformações sociais intensas que alteram indelevelmente instituições centenárias e algumas milenares.

Falamos da dificuldade que temos de entender o porque de meninos ainda no ensino fundamental, experimentarem drogas ilícitas, outros escolherem viver nas ruas ao invés do convívio com os pais, e ainda aquelas notícias de jornais onde uma adolescente planeja a morte dos pais aliada ao namorado.

Nos causa estranheza que meninos de 10 anos entrem armados em uma escola e matem professores e vários de seus colegas. Por quê? Pinóquio nos ajuda a decifrar esse código.

Os “pecados” do Pinóquio são menores, naturalmente, já que o livro, escrito em 1881 e mesmo o filme, de 1937, mostram, ao nosso ver, pequenas as maldades do Pinóquio como, por exemplo, mentir para a fada (e o preço de cada mentira era o crescimento do seu nariz!).

Preso em uma gaiola na carroça de Stromboli, dono do circo, Pinóquio chora, lamentando sua sorte, o que faz surgir a fada. Ela pergunta como se meteu naquela situação e ele inventa histórias mirabolantes nas quais os responsáveis pela sua sorte são sempre terceiros.

Bem, Pinóquio não era realmente mau; mentiu para se proteger. Talvez esse fato seja o início da interpretação do código que nos perturba e dificulta nosso entendimento: Pinóquio estava em busca de algo e a fada era a figura-chave que poderia ajudá-lo a alcançar seu objetivo. Ele fez escolhas, tomou decisões e as circunstâncias levaram-no a situações embaraçosas que o faziam sentir-se culpado. Mentir era então a única forma encontrada para não perder o apoio da fada (e se ao invés da fada, seu benfeitor fosse um traficante?).

Nesta altura do relato o mais fácil é pensar que Pinóquio seria culpado, no mínimo, pelos seus desejos não comedidos. Pelo menos é assim que são interpretados os desejos dos protagonistas dos descalabros que aparecem nos jornais.

Pinóquio estava na carroça do circo de Stromboli porque desejou ser rico e famoso. Por que queria estar na mídia? Esse desejo de estar na mídia, também muito explorado nas novelas, nos faz cometer outros erros na interpretação desse código. Pinóquio não era mau por desejar ser rico e famoso mas esse desejo o levou a atitudes repreensíveis e/ou, ao menos, perigosas para si e para outros.

Antes do desejo de ser rico e famoso havia um outro: ser reconhecido, ser querido. Ser reconhecido é o propulsor básico do ser-humano, mas as mudanças sócio-econômicas das últimas décadas enfatizaram de forma significativa esse combustível. Novamente temos aí um outro por quê.

Não são apenas os estímulos (externos) que exacerbam a busca do reconhecimento. O reconhecimento do qual estamos tratamos é aquele exemplificado de forma clara na história reescrita por Disney, quando Pinóquio diz: - Quero ser um menino de verdade!

Nas últimas décadas o motivador do casamento deixou de ser a construção de uma família; nesse mesmo período as exigências econômicas fizeram com que pai e mãe se tornassem responsáveis pela provisão das finanças domésticas. As crianças, com isso, passaram a conviver a maior parte do tempo com terceiros, o que por si só não indica um problema, mas diante de limiares críticos, pode gerar o sentimento de não ser reconhecido, e a conseqüente ansiedade que desencadeia respostas inadequadas (impulsividade, emotividade elevada, distúrbios de atenção entre outras), e essa tradução do desejo de reconhecimento pelo de ser rico e famoso. Ser rico e famoso resolve todos os problemas!

Vamos pedir a ajuda ao Pinóquio para nos esclarecer melhor esse ponto. Pinóquio foi feito com muito amor e de forma primorosa pelo Gepeto. O velhinho ficou, também, muito feliz quando Pinóquio deixou de ser apenas uma marionete e obteve, da fada, a graça de ter movimentos autônomos. Por que então Pinóquio não estava satisfeito com tudo isso que havia conquistado? Por quê queria mais; queria ser de verdade? Porque Gepeto queria um filho e Pinóquio, diante desse desejo do pai, se sentia um filho de mentira.
Ser rico e famoso era a forma como Pinóquio tentava compensar Gepeto por não ser um menino de verdade, e conseguir, então, ser reconhecido por ele.
A expectativa dos pais não é apenas positiva mas propulsora do crescimento dos filhos. Mesmo na vida intra-uterina, o afeto materno e a voz da mãe, trocando confidências com seu futuro bebê, mobiliza a vida que se inicia. É fundamental, no entanto, que essas expectativas sejam congruentes com o sentimento de gratificação pela existência desse filho. A incongruência é o que pode significar o limiar crítico para o surgimento da ansiedade e a ordem social atual não contribui muito para que haja a congruência.

O restante desse código só entrevemos na história do Pinóquio mas se escancara nas manchetes dos jornais. Sentimento de não corresponder às expectativas > sentimento de não ser parte > ansiedade > impulsividade > desorganização atitudinal > vínculos indesejáveis > atitudes destrutivas (se não consegui ser aceito, por meu lado também não vou aceitar).

Nota de falecimento: O BOM SENSO


Caros amigos e amigas,

É com muita tristeza que lhe participamos o falecimento de um amigo muito querido que se chamava BOM SENSO…
… e que viveu muitos e muitos anos entre nós.


Ninguém conhecia com precisão a sua idade porque o registo no qual constava o seu nascimento foi desclassificado há imenso tempo, devido à sua enorme antiguidade.

Mas lembramo-nos muito bem dele, nomeadamente pelas suas lições de vida como :

« O mundo pertence àqueles que se levantam cedo »

« Não podemos esperar tudo dos outros »

Ou ainda

« O que me acontece pode ser em parte também por minha culpa »


E também …

BOM SENSO só vivia com regras simples e práticas como :

« Não gastar mais do que se tem »

e de claros princípios educativos como :

« São os pais quem decide em definitivo »

Aconteceu que BOM SENSO principiou a perder o pé quando os pais começaram a atacar os professores que acreditavam ter feito bem o seu trabalho querendo que as crianças aprendessem o respeito e as boas maneiras.

Tomando conhecimento que um educador foi afastado por ter repreendido um aluno demasiado excitado na aula, agravou-se o seu estado de saúde.
Deteriou-se mais ainda quando as escolas ficaram obrigadas a obter autorização parental para pôr um penso num doi-doi de um aluno, embora não pudessem informar os pais de outros perigos mais graves incorridos pela criança.

Enfim, BOM SENSO perdeu a vontade de sobreviver quando constatou que os ladrões e os criminosos recebiam melhor tratamento que as suas vítimas.

Também recebeu verdadeiros golpes morais e físicos, quando a Justiça decidiu que era reprovável defendermo-nos de um gatuno na nossa própria casa, enquanto a este último é dada a possibilidade de queixar-se por agressão e atentado à integridade física ...

BOM SENSO perdeu definitivamente toda a confiança e a vontade de viver quando soube que uma mulher, que não alcançou que uma chávena de café quente pode queimar e que desajeitadamente deixou derramar algumas gotas sobre uma perna, recebeu por isso uma colossal indenização do fabricante da cafeteira eléctrica.

E como certamente saberá, a morte de BOM SENSO foi precedida pelo falecimento:

- dos seu pais Verdade e Confiança;

- da sua mulher Discrição;

- da sua filha Responsabilidade e do filho Razão.



BOM SENSO deixa o seu lugar plenamente a três falsos irmãos :

- « Eu conheço os meus direitos e também os adquiridos »

- « A culpa não é minha »

- « Sou uma vítima da sociedade »



Autor desconhecido

Notícias: "o salário mínimo subiu pra R$ 1.000,00"



...clique na figura e aguarde uns instantes para ela se auto-revelar

Hoje é primeiro de Abril, apesar de não ser um feriado nacional, este dia é celebrado em muitos países, onde as pessoas, tanto as éticas quanto as que gostam de contar mentirinhas ou mentirões gostam de pregar peças em outros. Da onde surgiu esta comemoração e como ela é usada nos dias de hoje.

Há muitas explicações para o 1 de abril ter se transformado no Dia da Mentira. Uma delas diz que a brincadeira surgiu na França. Desde o começo do século XVI, o Ano Novo era festejado no dia 25 de Março, data que marcava a chegada da primavera. As festas duravam uma semana e terminavam no dia 1 de abril.

Em 1564, depois da adoção do calendário gregoriano, o rei Carlos IX de França determinou que o ano novo seria comemorado no dia 1 de janeiro. Alguns franceses resistiram à mudança e continuaram a seguir o calendário antigo, pelo qual o ano iniciaria em 1 de abril. Gozadores passaram então a ridicularizá-los, a enviar presentes esquisitos e convites para festas que não existiam. Essas brincadeiras ficaram conhecidas como plaisanteries.

Em países de língua inglesa o dia da mentira costuma ser conhecido como April Fool's Day ou Dia dos Tolos, na Itália e na França ele é chamado respectivamente pesce d'aprile e poisson d'avril, o que significa literalmente "peixe de abril".

No Brasil, o 1º de abril começou a ser difundido em Pernambuco, onde circulou "A Mentira", um periódico de vida efêmera, lançado em 1º de abril de 1848, com a notícia do falecimento de Dom Pedro, desmentida no dia seguinte. "A Mentira" saiu pela última vez em 14 de setembro de 1849, convocando todos os credores para um acerto de contas no dia 1º de abril do ano seguinte, dando como referência um local inexistente.

Primeiro de abril nos dias de hoje:
A Internet faz com que seja difícil de saber se uma peça é perpetrada antes ou depois do meio-dia. Os fusos horários são diferentes em partes diferentes do mundo. O 1 de abril (ou primeiro de abril) não acontece simultaneamente em todo o mundo.
Pessoas não-residentes no ocidente pouco conhecem o costume do Dia das Mentiras e são mais vulneráveis a peças na internet.

Boatos
"Em primeiro de Abril vão os burros aonde não devem ir". Muitas organizações de mídia propagaram inconscientemente ou deliberadamente peças no Dia das Mentiras. Mesmo agências de notícias sérias consideram o Dia das Mentiras uma brincadeira normal, e uma tradição anual.
O advento da internet como um meio de comunicação mundial serviu para facilitar os traquinas no seu trabalho.

.....ah, eu tenho um tio, que nasceu neste dia, mas se recusa a comemorá-lo, então escolheu o dia 6 de abril - pelo que parece, esta data tinha uma grande influência no passado, considerada como superstição.

Elaine

quinta-feira, 31 de março de 2011

Cobranças....cobranças....cobranças...como lidar com pessoas explosivas e que cobram muito dos outros?


Como lidar com pessoas explosivas e que cobram muito dos outros ?

Como você lida com suas próprias cobranças, cobranças que faz a si mesmo? Como você lida consigo mesmo naqueles momentos em que você explode? A forma como você lida e encara a si mesmo nesses momentos é a forma como você lidará com as pessoas a sua volta quando elas tiverem em momentos semelhantes.

Por exemplo, se você é paciente com suas cobranças pessoais, se você é carinhoso consigo mesmo na forma de pensar sobre sua vida, seus problemas e desafios, você também será paciente e carinhoso com as pessoas a sua volta quando elas estiverem se cobrando demais ou passando por problemas e desafios. Se você se ama e se aceita durante momentos de emoções mais intensas, você amará e aceitará os momentos mais intensos dos outros a sua volta. Um exemplo, se você é uma pessoa que quando sente que vai explodir decide se afastar um pouco, reduzir o ritmo até se acalmar, quando estiver ao lado de uma pessoa que vai explodir, você fará o mesmo, se afastará dela até que ela se acalme.

Essa é a atitude que os educadores recomendam para pais que querem ser equilibrados, que se afastem e deem espaço para seus filhos no momento de birra até eles se acalmarem. Mais uma vez isso mostra a importância do auto conhecimento e de focar suas energias em conseguir se amar mais e saber tratar melhor consigo mesmo, pois isso fará de você uma pessoa mais apta para conviver em paz com qualquer tipo de pessoa inclusive as cobradoras e explosivas.

Imagem do dia: Nuvens



MODELOS NO CÉU A partir da esquerda, um stratocumulus sobre o sudeste da Ásia, uma nuvem stratus baixas na Islândia, uma nuvem de rolo, chamada Morning Glory, sobre o norte de Queensland, na Austrália; lenticular altocumulus ao longo da fronteira de Nevada, Califórnia.

terça-feira, 29 de março de 2011

O AMOR IMPOSSÍVEL É O VERDADEIRO AMOR


O amor impossível é o verdadeiro amor
Arnaldo Jabor, cineasta e jornalista: Outro dia escrevi um artigo sobre o amor. Depois, escrevi outro sobre sexo.

Os dois artigos mexeram com a cabeça de pessoas que encontro na rua e que me agarram, dizendo: "Mas... afinal, o que é o amor?" E esperam, de olho muito aberto, uma resposta "profunda". Sei apenas que há um amor mais comum, do dia-a-dia, que é nosso velho conhecido, um amor datado, um amor que muda com as décadas, o amor prático que rege o "eu te amo" ou "não te amo". Eu, branco, classe média, brasileiro, já vi esse amor mudar muito. Quando eu era jovem, nos anos 60/70, o amor era um desejo romântico, um sonho político, contra o sistema, amor da liberdade, a busca de um "desregramento dos sentidos". Depois, nos anos 80/90 foi ficando um amor de consumo, um amor de mercado, uma progressiva apropriação indébita do "outro". O ritmo do tempo acelerou o amor, o dinheiro contabilizou o amor, matando seu mistério impalpável. Hoje, temos controle, sabemos por que "amamos", temos medo de nos perder no amor e fracassar na produção. A cultura americana está criando um "desencantamento" insuportável na vida social. O amor é a recusa desse desencanto. O amor quer o encantamento que os bichos têm, naturalmente.
Por isso, permitam-me hoje ser um falso "profundo" (tratar só de política me mata...) e falar de outro amor, mais metafísico, mais seminal, que transcende as décadas, as modas. Esse amor é como uma demanda da natureza ou, melhor, do nosso exílio da natureza. É um amor quase como um órgão físico que foi perdido. Como escreveu o Ferreira Gullar outro dia, num genial poema publicado sobre a cor azul, que explica indiretamente o que tento falar: o amor é algo "feito um lampejo que surgiu no mundo/ essa cor/ essa mancha/ que a mim chegou/ de detrás de dezenas de milhares de manhãs/ e noites estreladas/ como um puído aceno humano/ mancha azul que carrego comigo como carrego meus cabelos ou uma lesão oculta onde ninguém sabe".

Pois, senhores, esse amor existe dentro de nós como uma fome quase que "celular". Não nasce nem morre das "condições históricas"; é um amor que está entranhado no DNA, no fundo da matéria. É uma pulsão inevitável, quase uma "lesão oculta" dos seres expulsos da natureza. Nós somos o único bicho "de fora", estrangeiro. Os bichos têm esse amor, mas nem sabem.

(Estou sendo "filosófico", mas... tudo bem... não perguntaram?) Esse amor bate em nós como os frêmitos primordiais das células do corpo e como as fusões nucleares das galáxias; esse amor cria em nós a sensação do Ser, que só é perceptível nos breves instantes em que entramos em compasso com o universo. Nosso amor é uma reprodução ampliada da cópula entre o espermatozóide e óvulo se interpenetrando. Por obra do amor, saímos do ventre e queremos voltar, queremos uma "reintegração de posse" de nossa origem celular, indo até a dança primitiva das moléculas. Somos grandes células que querem se re-unir, separados pelo sexo, que as dividiu. ("Sexo" vem de "secare" em latim: separar, cortar.) O amor cria momentos em que temos a sensação de que a "máquina do mundo" ou a máquina da vida se explica, em que tudo parece parar num arrepio, como uma lembrança remota. Como disse Artaud, o louco, sobre a arte (ou o amor) : "A arte não é a imitação da vida. A vida é que é a imitação de algo transcendental com que a arte nos põe em contato." E a arte não é a linguagem do amor? E não falo aqui dos grandes momentos de paixão, dos grandes orgasmos, dos grande beijos - eles podem ser enganosos. Falo de brevíssimos instantes de felicidade sem motivo, de um mistério que subitamente parece revelado. Há, nesse amor, uma clara geometria entre o sentimento e a paisagem, como na poesia de Francis Ponge, quando o cabelo da amada se liga aos pinheiros da floresta ou quando o seu brilho ruivo se une com o sol entre os ramos das árvores ou entre as tranças da mulher amada e tudo parece decifrado. Mas, não se decifra nunca, como a poesia. Como disse alguém: a poesia é um desejo de retorno a uma língua primitiva. O amor também. Melhor dizendo: o amor é essa tentativa de atingir o impossível, se bem que o "impossível" é indesejado hoje em dia; só queremos o controlado, o lógico. O amor anda transgênico, geneticamente modificado, fast love.

Escrevi outro dia que "o amor vive da incompletude e esse vazio justifica a poesia da entrega. Ser impossível é sua grande beleza. Claro que o amor é também feito de egoísmos, de narcisismos mas, ainda assim, ele busca uma grandeza - mesmo no crime de amor há um terrível sonho de plenitude. Amar exige coragem e hoje somos todos covardes".

Mas, o fundo e inexplicável amor acontece quando você "cessa", por brevíssimos instantes. A possessividade cessa e, por segundos, ela fica compassiva. Deixamos o amado ser o que é e o outro é contemplado em sua total solidão. Vemos um gesto frágil, um cabelo molhado, um rosto dormindo, e isso desperta em nós uma espécie de "compaixão" pelo nosso desamparo.

Esperamos do amor essa sensação de eternidade. Queremos nos enganar e achar que haverá juventude para sempre, queremos que haja sentido para a vida, que o mistério da "falha" humana se revele, queremos esquecer, melhor, queremos "não-saber" que vamos morrer, como só os animais não sabem. O amor é uma ilusão sem a qual não podemos viver. Como os relâmpagos, o amor nos liga entre a Terra e o céu. Mas, como souberam os grandes poetas como Cabral e Donne, a plenitude do amor não nos faz virar "anjos", não. O amor não é da ordem do céu, do espírito. O amor é uma demanda da terra, é o profundo desejo de vivermos sem linguagem, sem fala, como os animais em sua paz absoluta. Queremos atingir esse "absoluto", que está na calma felicidade dos animais.